Implantação de Práticas Ágeis

As práticas ágeis tem se disseminado nas organizações Brasileiras em forte ritmo nos últimos cinco anos. Apesar disso, nem toda empresa tem conseguido obter valor do uso destas práticas. O problema não está nas práticas, mas em como estas práticas são adotadas. E isso faz a grande diferença entre adoções bem sucedidas e fracassos.

Primeiramente, é importante entender que a palavra “prática” no contexto ágil sempre é dependente do contexto. Por isso, se alguém diz que uma prática não funciona em uma organização, é porque provavelmente não houve adequação inteligente ao contexto.

Simplesmente seguir rituais exatamente como documentados na maior parte dos livros de SCRUM leva invariavelmente ao fracasso.

Ao invés, times verdadeiramente ágeis devem:

  • Reconhecer que organizações são entidades complexas. Entender a complexidade através de escolas de pensamento apropriados como o pensamento sistêmico ou o pensamento lean é fundamental para entender a interelação entre as partes de uma organização e os efeitos sutis e defasados no tempo de causas e efeitos.
  • Experimentar e adaptar os resultados obtidos periodicamente. A cultura da experimentação e adaptação é vital e a única possível para lidar com sistemas verdadeiramente complexos como organizações.
  • Se desapegar de ideias simplistas que certas práticas ou são usadas ou …não são usadas. Ao invés, práticas devem ser adequadas ao contexto de cada organização sempre com a personalização necessária.
  • Reconhecer que paradigmas como o comando e controle, gerentes como chefes e times especialistas (ex. times de desenvolvedores ou times de testes) levam a resultados pífios. Ao invés, times ágeis devem usar paradigmas de times auto-organizados, gerentes como professores/coaches e times de produtos.
  • Focar verdadeiramente no desenvolvimento de pessoas e facilitar a interação entre pessoas.
  • Reconhecer que a adoção de métodos ágeis é um problema social, muito mais que um problema técnico. Estudar sociologia e psicologia de grupos é fundamental para promover mudança cultural e obter sucesso neste tipo de adoção.
  • Reconhecer que ferramentas seguem as práticas (e não o contrário). Simplesmente instalar uma ferramenta ágil não tornará o seu time mais produtivo.

Uma interessante reflexão vem das “leis” do pensamento Lean, citadas abaixo, e que demonstram a complexidade das organizações.

  • Os problemas de hoje vem das “soluções” de ontem.
  • O quanto mais forte você empurrar, mais forte ainda o sistema irá empurrar você.
  • O comportamento poderá piorar antes que de melhorar.
  • A saída fácil normalmente te leva de volta ao problema.
  • A cura pode ser pior que a doença.
  • Mais rápido pode ser mais lento.
  • Causa e efeito não são normalmente relacionados no tempo e no espaço.
  • Pequenas mudanças podem gerar grandes resultados… mas as áreas de alavancagem são normalmente as menos óbvias.
  • Você pode ter o bolo e come-lo, mas não ao mesmo tempo.
  • Dividir um elefante em dois não gera dois elefantes pequenos.
  • Não existe culpa.

Tudo isso pode parecer muito complexo, mas quem disse que o mundo é simples. 🙂
Mas os resultados compensam. Números da índustria mostram que times ágeis entregam o dobro de resultados de times convencionais.

E você, já usa métodos ágeis? Como tem sido a sua experiência prática?


2 comentários

Alex Almeida · 17 de abril de 2015 às 10:49

Sensacional o texto!!!

» Empresas disfuncionais. Você trabalha em uma delas? · 28 de abril de 2015 às 00:07

[…] não é como fazer prédios. É muito mais como cuidar do desenvolvimento de uma planta, onde a inspeção e adaptação é um princípio […]

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